Mostrando postagens com marcador Contos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Contos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A Bailarina

                 


                   Ela era uma bailarina. Quase não comia, pois temia perder a forma. Tudo o que ela tinha era aquele palco. Dia após dia ensaiando e à noite apresentando-se.
 Quando ela dançava colocava o coração. Se ela estivesse triste, sua dança era sofrida. Se estivesse feliz, entrava em êxtase e bailava como uma pluma, quando se deixa levar a favor do vento. Seus movimentos eram suaves e perfeitos. A música entrava pelos seus ouvidos e era sentida na mente, no coração, na alma e a emoção vinha à tona, fazendo com que seus movimentos de pés e mãos obedecessem cada acorde.
                     Um dia, Ana, a bailarina, percebeu na plateia um rapaz que todas as noites estava ali, no teatro, ocupando o mesmo lugar. Ele poderia ter mil motivos para vê-la dançar, mas Ana preferia crer que era importante para ele. Preferia crer que ele estivesse apaixonado por seus movimentos, sua interpretação, por ela (por que não?). Este homem mandou-lhe flores uma vez, após o espetáculo e foi embora. Não esperou, sequer, uma palavra de agradecimento de sua parte? Mesmo assim ela estava feliz. E por estar feliz, era perfeita ao dançar. Não. Ainda faltava chegar à perfeição. Ela havia se apaixonado perdidamente por esse estranho que marcava presença, de alguma maneira, entre o público. Às vezes ele se fazia presente e às vezes seu lugar era ocupado com um buquê  de flores, o qual era recolhido e enviado ao camarim de Ana, tão logo terminasse o espetáculo. Ana estava feliz.
                     Todos os dias as coisas aconteciam da mesma maneira. Certo dia, Ana havia decidido ousar e falar-lhe, convidá-lo para um chá logo após o espetáculo, já que ele não tomava a iniciativa. É hoje.- Disse para si mesma.- Não tenho nada a perder.
Então ela entrou em cena e começou a dançar. Ele estava lá na plateia, mas não estava só. Havia uma garota que nem era tão bonita como Ana, mas era com ela que ele estava vendo o espetáculo e trocando carinhos que chocaram a bailarina. Era na mesma cadeira que ficavam as flores que ele deixara para Ana que a moça sentara. Eles pareciam felizes.
Ana permitiu que a música penetrasse o mais profundo do seu ser. Brigou consigo, intimamente, enquanto dançava. Chorava e dançava ao mesmo tempo. Sentia a música e a emoção estava à flor da pele. A bailarina foi perfeita. O espetáculo terminou e os aplausos foram inúmeros, incessantes. O público estava de pé. A bailarina nunca havia dançado assim!
Ana nunca mais dançou, pois não mais sentira a alegria em seu coração. Ana foi esmagada pela paixão e amor que sentira. Ana sumiu e nunca mais foi vista por seu público, nem pelo homem que tanto amara. Para a Ana, restou apenas uma canção.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O que era doce se acabou

                               

                          Era uma bela menina. Estava com três ou quatro anos de idade, brincava e sonhava como qualquer criança normal, cercada do amor dos seus pais e irmãos. Vamos chamá-la (por que não?) Estela. Esta garota tinha a mania de arrastar um paninho e chupar chupeta (a melhor do mundo!). Contudo, perdia sua chupeta com a maior facilidade (já era frequente). Um dia sua mãe ameaçou-a. Se Estela perdesse aquela chupeta, jamais teria outra. Ela, então, passou a prestar atenção onde guardava para que nunca mais perdesse.
Estela, às vezes, como toda criança, repetia hábitos dos adultos.Havia um garoto de mais ou menos doze anos, vizinho de Estela, que costumava brincar à tarde na frente da sua casa e conversar com ela e sua mãe, Ah! Ele era tão bonito! Estela pensou: "Quando crescer vou namorar com ele. É bom olhar pra ele.."
Ele até disse que queria ser seu namorado! Claro que era brincadeira.
Certo dia, entre brincadeiras e conversas, Estela cansou, foi pegar seu paninho e sua chupeta e aninhou-se junto da sua mãe. O rapazinho comentou que ela não tinha mais idade para chupar chupetas e que namorada dele não chupava chupetas, que ela estava feia, blá, blá, blá. A garotinha não ligou. Sua mãe, então, contou que se ela perdesse aquela chupeta, nunca mais teria outra.
O rapazinho, repentinamente, arrancou-lhe a chupeta da boca e jogou longe. Estela chorou de desespero. Pois naquela hora ela soube que perdera o objeto de estima e, de quebra, conheceu a raiva.
Estela nunca mais dirigiu a palavra ao pretenso  futuro namorado. Apesar de ser uma criança, ela jamais olhou pra ele novamente.
O garoto arrependeu-se. Não pensou que a menina fosse ter aquela reação. Ele ainda tentou chegar, brincando na frente da casa da garota, mas quando ela via que ele vinha em sua direção, tratava de entrar. Se ele já estivesse lá, ela não saía.
A confiança que Estela tinha no garoto e a admiração que sentia por ele acabaram, porque ela se sentiu traída, roubada, o que era doce se acabou.
 

domingo, 18 de setembro de 2011

A Governanta (Mais um conto alienado)

                              



            Ela estava cansada. Dedicava-se àquela casa como se fosse dela própria. Muitas vezes isto fazia parte dos seus devaneios, mas ela sofria. Sofria porque a casa não era sua, mas de uma mulher, quase uma menina, que nem mesmo sabia conduzir as coisas dentro do lar. Tudo era função da governanta, cujo cargo ela ocupava.
          Seu patrão era um médico cardiologista respeitado. Já tinha uma certa idade, mas se aventurou em um casamento com uma moça jovem, alegre e cheia de vida. Ele não era bonito, mas tinha seus encantos. Era doce e divertido. Talvez, por isto, sua esposa tenha se apaixonado por ele.
Ela, a governanta, nutria um sentimento apaixonado por seu patrão, mas fugia de suas investidas. Pois, apesar de não ser tão jovem e tão bem tratada, era muito bonita e ele não lhe era indiferente.
 Mas ela sabia que não poderia alimentar aquele sentimento, não era correto trair e viver sob o mesmo teto que sua empregadora, sobretudo agora que esta estava grávida de seu primeiro filho.
            Ela invejava sua patroa, não pelo fato de estar grávida, mas o fato de sempe atrair a atenção de seu esposo sempre que o queria por perto. Sabia que apesar de nova era manipuladora e, se ela percebesse qualquer tipo de envolvimento entre os dois, seu emprego não existiria mais e ficaria longe do amor de sua vida para sempre. Decidiu, então, não dar crédito às investidas de seu patrão e seguir adiante. Decidiu evitá-lo sempre que possível.
            Por ocasião de uma das muitas viagens do médico, já no final da gravidez de sua esposa, ele recomendou à governanta que qualquer emergência ligasse para o médico de Paloma, sua esposa, e em seguida ligasse para seu telefone. Ela assim o fez . Paloma começou a sentir as dores do parto e, imediatamente, a governanta ligou para seu médico e depois para seu marido.
Tudo correu perfeitamente bem. Paloma teve sua filha e seu marido estava numa alegria só. Afinal, tornara-se pai! Então,ele chegou em casa com um buquê de rosas vermelhas. Entregou-o à governanta e esta disse-lhe: " As flores vão murchar, pois dona Paloma só chegará amanhã."
Ele respondeu: " As flores não são para ela. São para você." E seus olhos brilharam tentando perceber emoções que a governanta pudesse deixar fluir.
Ela pegou as flores, subiu rapidamente as escadas, mas ele a deteve ainda alguns minutos, segurando-lhe o braço como se quisesse brincar de gato e rato: " É uma forma de agradecer o que você fez."
Ela respondeu com voz entrecortada: " Não fiz mais que minha obrigação. Obrigada."
Ele retrucou: " Você aprende rápido, hein?"
Ele riu e desceu as escadas, enquanto ela se virava e permitia que lágrimas lhe molhassem a face.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Consulta ao analista

De repente, ela entrou no consultório do analista.
Ela estava magoada, dolorida e desacreditada. Já não se permitia mais sonhar acordada com as coisas boas da vida como outrora fizera. Também não se permitia amar nem ser amada,nem ter piedade e nem mesmo se permitia sorrir. O sorriso já se havia excluído de sua face sem que ela se apercebesse disso.Carregava consigo todo o sentimento de derrota. Sentia-se quase insensível à qualquer tipo de emoção. Já não se olhava mais no espelho, não tinha vontade de ver a pessoa feia na qual se tornara (por dentro e por fora). Isso tudo doía. Quase não suportava a dor que sentia. Chegava a ter piedade de si mesma, já que o mundo não notava sua existência.
E ele a viu entrar. Então, ao invés de oferecer-lhe consolo, ele tocou mais fundo nas feridas de sua alma. Mas, quem era aquele estranho que lhe falava naquele tom? Que a acusara de ser culpada de todo o mal do qual estava acometida? É claro que ele tinha razão em alguns aspectos, mas ele não podia falar-lhe daquele modo! Ele acabara de conhecê-la e já estava perguntando sobre suas intimidades e, se ela calava em alguns momentos, ele tirava suas próprias conclusões. Diante de palavras tão duras ditas por ele, ela não suportou. Repentinamente, ela desabou em prantos. Um choro incontrolável, até então, contido, fluiu. Pacientemente ele esperou que as lágrimas secassem. Então ela se recompôs, enquanto ele receitáva-lhe um calmante. Ela foi embora, mas voltou lá outras vezes, pois sua consulta não terminara ali.

domingo, 18 de outubro de 2009

Conto de uma tarde de verão.

      No litoral de Pernambuco em um lindo dia de sol, três garotas resolveram ir à praia. A mais velha chamavá-se Marta. Michele era sua irmã e Amparo sua amiga. Vou dar destaque à história de Marta. Tudo estava muito bom. O Sol estava delicioso, o mar convidativo enfim, tudo estava perfeito!
 Além das moças estendidas na areia havia também alguns surfistas. Eles então,fazendo-se notar para as moças e elas por sua vez,tornando-se irresistíveis! Aos poucos eles foram chegando perto delas, conversando, falando do mar, das ondas, do sol, etc. Elas, por sua vez, não recusaram a aproximação deles. Foram receptivas e conversaram animadamente!
    Tornaram-se três casaisAté queMarta,derretendo de calor,decidiu banhar-se e seu parceiro de diálogo,até então, resolveu que ia também.
     Ela era uma morena que chamava a atenção! Apesar da cor morena-jambo queimada do sol, Marta tinha os olhos claros e inocentes com uma pitada de maldade característica da mulher em geral.
O surfista em questão, era também de uma cor que chamava a atenção. Moreno - jambo, queimado do sol, olhos castanhos (quase negros) de uma docilidade que encantou Marta, como se dos mares ele fosse um tritão.Seus cabelos eram castanhos e longos e o rapaz não parava de mexer neles com uma graça, que dava mais encanto à sua pessoa. Não sei precisar se visivelmente ou não, mas ele era mais novo que ela.
O rapaz estava, também , encantado com a beleza da morena!
O banho de mar não diminuiu o desejo, que tomou conta de Marta, de abraçar, beijar e
acariciar o surfista em questão. Entretanto, foi ele quem tomou a iniciativa. Puxou-a para si, abraçou-a e beijou-a leve e docemente.Sentiu que a moça correspondeu aos seus carinhos e se entregaram àquele momento de prazer, esquecendo do mundo que os rodeava. Os lábios uniam-se num beijo sôfrego, as pernas confundiam-se (pois estavam bem posicionadas), o suor escorrendo pela pele bronzeada dos dois e as mãos procuravam conhecer, através do abraço, o corpo que falava por si pedindo mais daquelas carícias.Já era tarde, quase noite, quando resolveram despedir-se e irem embora.
          Não sei se vocês notaram, caros leitores, que em momento nenhum citei o nome do rapaz! Pois é, nem eu e nem Marta sabemos. Ela me disse que preferiu assim! Sem nomes, sem endereços. Ele bem que tentou saber, mas ela negou-se a dar-lhe qualquer pista de identificação e pediu que também ele nada lhe dissesse.
Com um longo e caloroso beijo despediram-se. Se, na intenção de encontrá-la, ele voltou ao local em outros dias e no mesmo horário, nem eu e nem Marta sabemos.
Tudo que sabemos é que foi uma tarde de verão que ficou guardada, com muito carinho, em sua lembrança.